Eleição 2018

Lá fora, um presidente de extrema direita. Nos jornais daqui, um futuro defensor da democracia.

Por Rithyele Dantas

Ao comparar o Bolsonaro das capas de jornais nacionais com o Bolsonaro das capas de jornais internacionais a impressão é de que são dois presidentes distintos que o Brasil acaba de eleger.

O povo votou e a imprensa noticiou: Jair Bolsonaro é o novo presidente do Brasil, eleito com 58 milhões de votos, derrotando o candidato do PT, Fernando Haddad.

Bolsonaro, durante toda a campanha, foi equalizando seu discurso, como quem tenta encontrar o melhor caminho para dialogar com a maior parte da população. Conseguiu. Aquele que disse que o erro da ditadura foi ter torturado e não matado foi eleito. Aquele que defende a tortura foi eleito. Aquele que já disse preferir um filho morto a um filho gay foi eleito. Aquele que disse que os filhos não namoram negras, porque têm educação, em seu primeiro discurso afirmou:

“Faço de vocês minhas testemunhas, de que esse governo será defensor da constituição, da democracia e da liberdade.”

O fim do próprio sistema democrático, com Bolsonaro no poder, é uma grande preocupação de diversos setores, incluindo a imprensa. Os principais jornais brasileiros, na segunda-feira pós vitória, em suas capas fizeram questão de enfatizar a parte do discurso em que Bolsonaro disse que vai defender a democracia, a constituição e a liberdade.

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