Por Ana Paula Souza 

No último domingo, 30 de setembro, milhares de pessoas se reuniram para celebrar a 23ª Parada LGBTI, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro.

Fantasias coloridas, glitter e a bandeira LGBTI compunham a multidão da Parada e o público acompanhou as atrações durante todo o dia, sob sensação térmica de 40°C. Com a Avenida Atlântica ocupada por mais de dez trios elétricos, além do grande quantitativo de simpatizantes da causa, artistas como Mulher Pepita, Nanda Costa, Lorena Simpson, Lexa, Luísa Sonza e MC Pocahontas garantiram a música.

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A Parada de 2017 foi chamada de Parada da Resistência e lutava, principalmete, contra o fundamento religioso e em defesa de políticas públicas para os LGBTs no Rio de Janeiro. Este ano, às portas das eleições e com a onda conservadora que ameaça o país, o tema da Parada foi “Vote em ideias, não em pessoas”. Aos gritos de “Ele não”, a multidão relembrava a todo o momento o repúdio ao presidenciável Jair Bolsonaro e à sua família, que propagam discursos de ódio contra o público LGBTI. O evento contou com a participação de militantes, que discursaram pela urgência de candidatos LGBTs na política. Apesar de ter crescido em 386,4% o número de candidatos LGBTs, em comparação às últimas eleições, de acordo com a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT), ainda assim, os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário ainda têm o mesmo perfil de sempre: são homens brancos CISheteronormativos.

Esta hegemonia política do país é fator que preocupa Malu Quinhões, graduanda de Psicologia da UFRRJ. Para a estudante, a Parada LGBTI significa representatividade, alegria, mas também, luta. Segundo Malu, sua existência é sinal de resistência, visto que fora da Parada, os olhares de julgamento são contínuos, além do medo de ser vítima de violência:

“Na parada eu me senti segura. É como se eu estivesse, pelo menos um tempinho, num mundo em que eu sabia que não iria acontecer nada, porque as pessoas ali eram iguais a mim”.

A jovem de 18 anos ressalta que é urgente a ocupação de LGBTIs em lugares de prestígio social, pois o ultra-conservadorismo que avança no Brasil é ameaça para as minorias

“Eu como mulher lésbica não posso deixar um homem como ele se eleger, porque esse candidato abomina a minha existência e a existência de toda comunidade LGBTI”.

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Parada do Orgulho LGBT de Copacabana – foto de Ana Paula

A LGBTFOBIA

A expectativa de vida de uma pessoa trans é de 35 anos, e a cada 48 horas um transexual é assassinado no Brasil. Em maio deste ano, 153 pessoas LGBTIs foram assassinadas, e Matheusa Passareli, de 21 anos, estudante de artes da UERJ, foi executada no dia 29 de abril, alvo de transfobia. Durante a Parada LGBTI, as vítimas foram relembradas e, dentre a multidão, pessoas se emocionavam ao lembrar dos acontecimentos.

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23a Parada do Orgulho LGBT em Copacabana – Foto de Ana Paula

TRANSFORMAÇÃO

 

Mulher trans e candidata a Deputada Estadual, Bárbara Aires afirma que as diferenças constituem a identidade do país, porém o cenário político não abarca a pluralidade. Para ela, ocupar lugares e protagonizar tomadas de decisão que assegurem os direitos da comunidade, significa afirmar a existência e importância do público LGBTI. Bárbara não vê com esperanças o aumento contínuo de candidaturas LGBTIs, no entanto, ressalta que houve crescimento na quantidade de eleitores que antes, movidos por preconceitos, não votariam em tais candidatos, mas que agora apoiam a causa. A candidata salienta que não se vê representada dentro da política atual, já que é nulo o quantitativo de travestis e transexuais ocupantes de cargos políticos.

“Nós não temos uma representatividade de alto escalão na política, então eu não me sinto retratada, porque não me vejo nesses espaços”.

(RE)NASCE UMA FORÇA

 

Executada em 14 de março de 2018, a vereadora Marielle Franco foi diversas vezes relembrada durante o evento. A militância da “Cria da Maré” representava diferentes recortes sociais. Marielle era mulher, negra, periférica e lésbica. Em seus projetos desenvolvidos, a vereadora protagonizava ações de apoio a mulheres, negros e LGBTIs –  com os programas Dossiê Mulher Carioca, Dia da Mulher Negra e Dia da Luta Contra a Homofobia, Lesbofobia, Bifobia e Transfobia. Marielle desperta admiração em todos os lugares em que é lembrada. Para Andy Larubia, estudante de Psicologia da Universidade Santa Úrsula, Marielle é símbolo de resistência.

“Marielle era um ser amplo e importante, porque era alguém que representava a nossa comunidade LGBTI, e mesmo depois da morte, cinco projetos foram aprovados, o que afirma a força dela. Marielle presente”

 

 

 

 

 

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