Eleição 2018

Lá fora, um presidente de extrema direita. Nos jornais daqui, um futuro defensor da democracia.

Por Rithyele Dantas

Ao comparar o Bolsonaro das capas de jornais nacionais com o Bolsonaro das capas de jornais internacionais a impressão é de que são dois presidentes distintos que o Brasil acaba de eleger.

O povo votou e a imprensa noticiou: Jair Bolsonaro é o novo presidente do Brasil, eleito com 58 milhões de votos, derrotando o candidato do PT, Fernando Haddad.

Bolsonaro, durante toda a campanha, foi equalizando seu discurso, como quem tenta encontrar o melhor caminho para dialogar com a maior parte da população. Conseguiu. Aquele que disse que o erro da ditadura foi ter torturado e não matado foi eleito. Aquele que defende a tortura foi eleito. Aquele que já disse preferir um filho morto a um filho gay foi eleito. Aquele que disse que os filhos não namoram negras, porque têm educação, em seu primeiro discurso afirmou:

“Faço de vocês minhas testemunhas, de que esse governo será defensor da constituição, da democracia e da liberdade.”

O fim do próprio sistema democrático, com Bolsonaro no poder, é uma grande preocupação de diversos setores, incluindo a imprensa. Os principais jornais brasileiros, na segunda-feira pós vitória, em suas capas fizeram questão de enfatizar a parte do discurso em que Bolsonaro disse que vai defender a democracia, a constituição e a liberdade.

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Eleição 2018

Haddad no RJ: “Chapa da vida” vai à Maré à tarde, e Mano Brown capricha na crítica à noite na Lapa.

Por Rithyele Dantas | 24/10/2018
Lideranças e coletivos de favelas, de cultura e mídia receberam, no Centro de Artes da Maré, no gigante Complexo da Maré, o candidato do PT à presidência, Fernando Haddad, e sua vice Manuela Dávila na tarde desta terça-feira, 23.
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Jovens gritavam “É pela vida, pela saúde, pela educação, por moradia”

A Maré, de onde saiu a vereadora Marielle Franco, é um dos maiores complexos de favelas do Rio de Janeiro, com cerca de 17 favelas e 130 mil moradores. O evento entitulado como “Vira Voto – Favelas com Haddad” contou com movimentos que lutam diariamente contra a violência de Estado e violação dos direitos humanos – como é o caso das Mães Vítimas de Violência do Estado que, na voz de Bruna Silva, se posicionaram contrárias ao candidato Jair Bolsonaro (PSL) e a polêmica questão da liberação de armas. A vida é sempre uma questão em todas as manifestações faveladas e, não à toa, a escolha destes grupos foram pela “chapa da vida” e não pela chapa de militares que propõe medidas imediatas pautadas em mais confrontos armados.

eleições 2018, política, segurança pública

#EleNão na favela também: favelados reagem contra a ameaça Bolsonaro

Por Rithyele Dantas para RioOnWatch

O Brasil está entre os 30 países que mais possuem porte de armas de fogo no mundo–isso só contando as armas legais. O Brasil, portanto, já é um país armado. Quem é da favela sabe disso. E sabe também que esta situação não tem nos levado a qualquer condição de paz. Segundo dados recém publicados da Pesquisa Global de Mortalidade por Armas de Fogo, o Brasil é o país com mais mortos por armas de fogo. Tem uma taxa de homicídio por armas de fogo maior, inclusive, que os Estados Unidos, que é o país onde mais pessoas têm o porte.

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LGBT, Uncategorized

“A GENTE EXISTE E SE ORGULHA DISSO”

Por Ana Paula Souza 

No último domingo, 30 de setembro, milhares de pessoas se reuniram para celebrar a 23ª Parada LGBTI, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro.

Fantasias coloridas, glitter e a bandeira LGBTI compunham a multidão da Parada e o público acompanhou as atrações durante todo o dia, sob sensação térmica de 40°C. Com a Avenida Atlântica ocupada por mais de dez trios elétricos, além do grande quantitativo de simpatizantes da causa, artistas como Mulher Pepita, Nanda Costa, Lorena Simpson, Lexa, Luísa Sonza e MC Pocahontas garantiram a música.

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direitos humanos, eleições, mulheres

Mulheres chamam, multidões respondem: Brasil pressiona Bolsonaro na reta final da eleição

Manifestação foi protagonizada por mulheres, mas contou com participação diversa e pacífica 

Por Tatiane Alves – Fotografia: Amanda Pinheiro

Rio – A mobilização iniciada pelas mulheres através das redes sociais com a propagação e adesão da hashtag #elenão tomou corpo nas ruas de todos os estados, em mais de 150 cidades do país neste fim de semana. Foi a maior manifestação popular feminista da história do Brasil – ou das brasileiras, uma vez que houve atos em muitos outros países.

Mais uma vez, o centro do Rio foi o ponto de encontro e, sob a liderança das mulheres, uma imensa parcela de cidadãos partiu para o ataque realizando uma verdadeira festa urbana de resistência e luta contra o candidato à presidência, Jair Bolsonaro.

O ato iniciou às 15h e uma grande concentração de pessoas se reuniu na Cinelândia. Nem a Polícia Militar, nem os organizadores divulgaram números estimados de participantes, mas jornalistas acostumados a cobrirem manifestações garantem que o número superou as 100 mil pessoas. Eram principalmente mulheres que protagonizavam os protestos, denunciando os porquês do presidenciável não ser o candidato mais adequado para comandar o país nos próximos quatro anos.

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Jéssica Rebecca, 22 anos, é vestibulanda e moradora da zona norte. Ela foi incisiva quando entrevistada.

– Esse homem não representa a nós mulheres. Um homem machista, fascista e homofóbico, portanto, não pode ser presidente do Brasil… Eu só consigo imaginar o pior se ele chegar à presidência – enfatizou.

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direitos humanos, mulheres, mulheres negras decidem, Televisão

Rede Umunna: um projeto de articulação política

Terceiro episódio da série produzida pela GloboNews traz iniciativa que promove maior participação da mulher negra no campo político

Por Tatiane Alves

Rio – Costuma-se ouvir que uma de nossas maiores necessidades políticas, é ter um sistema eleitoral que permita uma renovação no quadro parlamentar. No entanto, há seis meses, o Rio de Janeiro presenciou o assassinato de Marielle Franco (Psol), a quinta vereadora mais votada do Estado, mulher e negra, executada a tiros juntamente com seu motorista Anderson Gomes.

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direitos humanos

Diante da ameaça do fascismo, multidão lota 11ª Caminhada pela Liberdade Religiosa

 

Por Rithyele Dantas
Mais de 5 mil pessoas – a imensa maioria fiéis de religiões afro-brasileiras – tomaram o calçadão de Copacabana neste domingo (16). 
Caminhada Liberdade Religiosa 2018-19
Foto de Rithyele Dantas | Jornalistas Pretas
Já é tradição no Rio: em janeiro o réveillon, em fevereiro o carnaval, em setembro a Caminhada Pela Liberdade Religiosa. Além da multidão vestida de branco, da Umbanda e do Candomblé, a mais tradicional caminhada pela liberdade religiosa do Rio de Janeiro teve a presença de alguns notáveis de outras religiões, como o padre Fábio de Melo e o pastor Kléber Lucas, da Igreja Batista.

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